sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Antonioni em Porto Alegre

Sábado, dia 16 de outubro, acontece o encontro com o diretor gaúcho Fabiano de Souza e o cinema de Michelangelo Antonioni. Cineasta italiano falecido em 2007, Antonioni tem suas bases no cinema social neo-realista, mas foi a partir dos filmes de temática intimista, como A Aventura, A Noite e O Eclipse, que ganhou notoriedade. Seu mais badalado filme, no entanto, é Blow-Up, conhecido no Brasil como Depois Daquele Beijo. Marco da contracultura, a linguagem usada no suspense deste filme marcou a década de 60.

Em Blow-up, a maneira como Antonioni aborda o feticismo pela imagem, através do erotismo, da moda, da música, revelam os mistérios e desejos de uma geração, dando até hoje o que falar. Mas a trama não é simples, pois a ação está no espaço entre os personagens, no entra e sai de cena, naquilo que a câmera ora revela, ora esconde.

Segundo Fabiano, “Antonioni é o diretor que ensina que todos os elementos do enquadramento devem trabalhar na composição da imagem. Pintura em movimento, o cinema do realizador italiano pulsa, berra, enquanto seus personagens ficam quietos, atônitos, diante de uma realidade que se transfigura em problemática existencial.” Para o debatedor, Antonioni ajudou a abrir novos paradigmas para toda uma geração. “Antonioni discutiu os problemas da nossa época demarcando os limites do próprio ser humano perante o mundo - o que são os livros perante a morte? O que é o real perante a imagem? O que é o cotidiano perante o prazer efêmero?”, destaca. “Dentro desse universo em permanente queda, ele - como ninguém - filmou espelhos, escadas e paisagens. E mais do que tudo, mulheres. Não por acaso, chamava-se MICHELANGELO.”, brinca Fabiano.

Olhares sobre o cinema acontece há três anos, com o objetivo de apresentar novas reflexões sobre o cinema, narrativas e técnicas. O Ciclo Diretores promove três encontros sobre diretores cujos filmes se destacam pela arte, a direção e a montagem, respectivamente. O encontro no sábado, dia 16, visa apresentar reflexões sobre a estética, estratégias e processo criativo de Antonioni, com a exibição de um filme e debate.

Fabiano de Souza é professor da Faculdade de Comunicação da PUCRS, nos cursos de Produção Audiovisual e Publicidade e Propaganda. Doutor em Comunicação Social pelo PPGCOM da PUCRS. Editor da Revista Teorema - Crítica de Cinema, onde já escreveu sobre Abel Ferrara, Marco Belocchio, Spike Lee, e outros. Roteirista e diretor de cinema e TV, com filmes como "Um Estrangeiro em Porto Alegre" (1999), "Cinco Naipes" (2004) e "A última Estrada da Praia", seu primeiro longa-metragem, lançado este ano no Festival de Gramado.

Olhares sobre o cinema – Ciclo Diretores tem apoio da Associação Amigos do Museu Julio de Castilho, sendo realizado pela produtora Curta o Circuito Produtora, em parceria com o Museu Julio de Castilhos e Secretaria do Estado da Cultura.

Encontro Olhares Sobre o Cinema – Ciclo Diretores
Dia 16/outubro | A Direção de Antonioni
Sábados, das 13h às 18h | Museu Julio de Castilhos – Porto Alegre
Inscrições pelo site www.curtaocircuito.art.br.
Mais informações: (51) 3024-2337.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

UM OLHAR Sobre Cronemberg

Abrindo a rodada de encontros do seminário Olhares Sobre o Cinema – Ciclo Diretores, o crítico de cinema e escritor Enéas de Souza ministra a aula sobre o cineasta canadense David Cronenberg.

O cineasta dos instintos, se assim poderíamos definir Cronenberg, amante das formas híbridas, do corpo que se funde ao tecnológico, cujos filmes “A Mosca” (1986), “Crash“ (1996) e “Spider” (2002), são algumas das suas realizações mais comentadas, vem contando histórias em que a carne, sem precisar ser invadida, oferece seu emaranhado de fibras à ambigüidade de registros que perpassam seus filmes.

Segundo Enéas, “Cronenberg faz uma profunda inflexão nos seus dois últimos filmes, “As Marcas da Violência” (2005) e “Senhores do Crime” (2007). Muda a direção de sua pesquisa, como em Spider onde mostrava a psicose como uma condição da nossa época. Agora passa a filmar a violência numa dimensão constante que inscreve a desordem e o caos na aparente calma das cidades, no convívio das famílias. Uma violência mais subterrânea do que explícita, geralmente longe do cotidiano, mas que se infiltra nele. Esta temática gera as cenas do roteiro e permite ao diretor trabalhar a forma do seu cinema, desde a escolha do corpo dos atores até o cenário onde freqüentam os personagens.

Há uma ênfase poética na figuração de certos objetos e elementos físicos do filme, estruturas que dão vigor ao seu trabalho cinematográfico. Todo o brilho do cineasta culmina numa reflexão contemporânea sobre a fragilidade humana e a fortaleza que pode surgir desta fragilidade na resposta de uma ou de outra figura dramática. Porque se o crime é a eminência do gesto diário que nos ameaça, a coragem da fraqueza impulsiona os homens a desvendar minimamente o mundo no qual vivemos. E nele construir a possibilidade de uma tentativa da dignidade de ser. "As Marcas da Violência" e "Senhores do Crime" coordenam o fluxo de acontecimentos nos lugares onde irrompe o sistema oculto e racional da violência, tanto na cidade pequena como na cidade grande, onde a lei é apenas uma fina e exígua lâmina de proteção.”

Olhares sobre o cinema é um projeto que acontece há três anos, com o objetivo de apresentar e propor novas reflexões sobre o cinema. Para este ano, o Ciclo Diretores promove o debate sobre diretores, cujos filmes se destacam pela arte, a direção e a montagem, respectivamente. Serão três sábados, com encontros no Museu Julio de Castilhos (R. Duque de Caxias, 1205).

Encontros:
Dia 2/outubro – A Arte de David Cronenberg
Dia 16/outubro – A Direção de Michelangelo Antonioni
Dia 6/novembro- A Montagem de Godard

Inscrições: www.curtaocircuito.art.br
Mais informações: (051) 3024-2337 - Porto Alegre

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Improvisações Brasileiras

A cpfl cultura apresenta nos meses de setembro e outubro a mostra Improvisações Brasileiras, projeto do artista plástico alemão Helmut Schippers, com curadoria da arquiteta Lilian Heitor. A mostra reúne obras que retratam o território brasileiro visto pelo ponto de vista de Schippers. Paisagens, estradas, cidades, pessoas, são os principais temas que o artista retrata em seus trabalhos.

Segundo Lilian, “Helmut Schippers nesta mostra genial provoca, através do uso incessante das cores e no contexto ‘geométrico-orgânico’, sucessivas pinceladas firmes, com espírito de autodeterminação e de liberdade de expressão espontânea em suas obras. As paisagens brasileiras, as estradas, as cidades e seus ícones de memória, são inesgotáveis meios de expressar diante da abstração a predileção pelos temas, uma escolha peculiar do artista”.

Neste projeto os intermináveis estudos de Schippers chegam à expressividade de uma obra madura. O artista já participou de várias exposições no Brasil, agora, seu objetivo é a integração de todos os pensamentos, resultando esta mostra menos preocupada com a realidade e mais focada na imaginação.

Foram escolhidas cerca de 30 obras do repertório de Schippers que possibilitem a leitura metafórica de resgate dos lugares que evidenciam, para ele, a cultura brasileira. As viagens que o artista promove, possibilitam-no guardar na memória pedaços desta experiência vivida, suas circunstâncias e sua contemplação. Trata-se de um objetivo intuitivo de reflexão que possibilita a integração de patrimônio histórico, de história dos caminhos traçados nas conquistas territoriais e com as artes plásticas. Não revelando a realidade absoluta, mas a imersão abstrata com símbolos que nos remetem ao conhecimento dos lugares de inspiração.

Sobre Helmut Schippers
O artista plástico alemão Helmut Schippers vem desenvolvendo um trabalho de resgate da memória dos lugares históricos por onde passa, em particular Paraty, onde atualmente possui seu ateliê. Com isso, propiciando o conhecimento do observador sobre a produção cultural regional. Sua pintura se destaca na forma de expressividade, com cores intensas e composição abstrata. Helmut já participou de várias exposições no Brasil e agora seu objetivo é a integração de todos os pensamentos e linguagens em um projeto menos preocupado com a realidade e mais focado na imaginação.

Improvisações Brasileiras (Helmut Schippers)

Curadoria: Lilian Heitor
Local: Galeria de Arte cpfl cultura em Campinas. Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera.
Visitação: 09 de Setembro a 29 de Outubro.
Horário: de segunda a sexta-feira das 14 às 20h.
Informações: (19) 3756-8000 site http://www.cpflcultura.com.br/site/